[NOTÍCIAS DA IGREJA]

Uruguai é o país com mais pessoas sem religião nas Américas: 37%. Paraguay o menos: 1%. Brasil tem 14%

A secularização pode ser definida como o fenômeno por meio do qual a religião perde a predominância na determinação das atividades do dia a dia na vida social e cresce o número de pessoas que se declaram sem religião ou com desafeição às religiões institucionalizadas.
Nessa concepção, a América Latina e o Caribe (ALC) tem passado por um aumento da secularização, pois, além da menor dominação dos símbolos religiosos sobre as instituições, cresce o número de pessoas que se declaravam sem religião que, na média da região, estava em torno de 1% em 1970 e chegou a 8% em 2014.

O Uruguai é o país mais secularizado de todo o continente americano, com 37% da população se declarando sem religião, sendo 10% de ateus e 3% de agnósticos. A laicidade tem uma longa tradição no Uruguai. Em 1861, o governo nacionalizou os cemitérios em todo o país, rompendo o controle que existe pelas igrejas. Logo depois, o governo proibiu as igrejas de ter papel protagonista na educação pública ou emitir certificados de casamento. No século XX, uma nova constituição consagrou a separação entre religião e esfera pública.

O percentual de pessoas sem religião na República Dominicana e entre a população hispânica dos EUA ficou empatado em 18%. Em seguida aparece o Chile com 16% de pessoas sem religião, sendo 2% ateus e 3 agnósticos. El Salvador tinha 12% sem religião. A Argentina com 11% sem religião, sendo 4 ateus e 1% agnóstico. Honduras tinha 10% sem religião, sendo 1% de agnósticos. Costa Rica com 10% de sem religião e 1 agnóstico. Brasil com 8% sem religião e 1% agnóstico. O país menos secularizado era o Paraguai com somente 1% de pessoas sem religião.

No Brasil, o percentual de cristãos (católicos + evangélicos) caiu de 97%, segundo o censo demográfico de 1970, para 96% em 1980, para 92% em 1991, para 89% em 2000 e para 87% no último censo, do IBGE, de 2010. Concomitantemente, o percentual de pessoas que se declaram sem religião passou de 0,8% em 1970, 1,6% em 1980, 4,7% em 1991, 7,4% em 2000 e 8,0% em 2010.

As diversas pesquisas do Instituto Datafolha mostram um crescimento mais acelerado do percentual de pessoas sem religião no Brasil. Em agosto de 1994 havia 5% de pessoas sem religiões no país, passou para 7% em abril de 2014 e para 14% em dezembro de 2016.

Contudo, este número é muito diferenciado nos municípios. Por exemplo, a cidade de Chuí no Rio Grande do Sul, quase na divisa com o Uruguai, é onde o percentual de pessoas sem religião é a mais alta do país, conforme mostra a tabela abaixo. No ano 2000 havia 38,5% de pessoas sem religião em Chuí e este percentual passou para 54,2% em 2010.

Mas há outras cidades no Brasil com alto percentual de pessoas sem religião: Gaúcha do Norte, MT, com 40,1%, Álvaro de Carvalho, SP, com 38,4%, Roteiro, AL, com 38,3%, Barra de Santo Antônio, AL, com 35%.

O percentual de sem religião é maior entre os homens e os jovens que nasceram depois de 1980. Isto quer dizer que a tendência a uma maior secularização deve aumentar na medida em que estas gerações mais jovens envelheçam e o Brasil se torne um país mais plural em termos religiosos.

Além disto o Brasil está abaixo da média do Global Index of Religiosity and Atheism (2012) do WIN-Gallup International, que aponta uma média mundial de 23% para as pessoas que se declaram sem religião e de 13% para os que se declaram ateus. Portanto, o aumento da secularização da ALC está indo na direção de se aproximar da média mundial. Nos EUA o percentual de pessoas sem religião passou de 7% na década de 1990 para 23% em 2014.

Praticamente, em todos os países latino-americanos diminui o percentual de casamentos religiosos e cresce o percentual de casamentos consensuais e, também, o número de nascimentos fora do casamento legal. Por exemplo, segundo o IBGE, no Brasil o percentual de casamentos “civil e religioso” era de 63,8% em 1980 e caiu para 42,9% em 2010. O percentual de casamentos “só religioso” era de 8,1% em 1980 e caiu para 3,4% em 2010.

Mas como mostrou Peter Berger, o crescimento da secularização não se dá em função do fim das religiões, mas sim pelo crescimento do pluralismo.

A diversificação religiosa e o crescimento do Estado Laico fazem com que diversas instâncias da sociedade funcionem de acordo com a lógica da ciência e os critérios lógicos da racionalidade e não em termos de dogmas religiosos. Nesse sentido, na média da região, a América Latina e Caribe, mesmo com ampla predominância cristã, está cada vez mais plural e secularizada.


Referências:

ALVES, JED. Ventos secularizantes: ateus, agnósticos e pessoas sem religião no censo brasileiro de 2010, Ecodebate, RJ, 04/10/2015

ALVES, JED. Chuí: a capital brasileira dos sem religião, Ecodebate, RJ, 06/02/2013

Phil Zuckerman. The Godless Liberal Social Society, Facebook.

Phil Zuckerman. Society without God: What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment, June, 2010

PEW. Religion in Latin America. Widespread Change in a Historically Catholic Region, PEW, November 13, 2014


Fonte: https://blog.comshalom.org/carmadelio/53237-uruguai-e-o-pais-com-mais-pessoas-sem-religiao-nas-americas-37-paraguay-o-menos-1-brasil-tem-14