[NOTÍCIAS DA IGREJA]

A química do amor!

Não é de se admirar que hoje, no século das definições, não se chegue a um consenso sobre o que significa o amor! E hoje se chama de “química do amor”, que já mereceu espaço na revista “Time” e nas maiores revistas do mundo inteiro. É de se espantar a repercussão e alcance que tiveram as conclusões dos pesquisadores do processo químico do amor: a maioria absoluta das pessoas que tiveram acesso a elas passou a acreditar piamente que o amor é um processo bioquímico com duração máxima de quatro anos.

A “química do amor” passou a explicar a lendária crise dos sete anos, os divórcios que ocorrem após os quatro ou cinco primeiros anos do casamento, os desafetos entre os conjugues, que se casaram, segundo a teoria dos pesquisadores, no auge da produção dos hormônios que provocam e sustentam a paixão.

Algumas publicações chegaram a afirmar que, após os primeiros quatro anos, e depois de serem forçados a cuidar do último filho recém-nascido, os casais, sem o estímulo químico da paixão, partiam para o divórcio. Outras, mais sensatas, afirmaram que, após os primeiros anos, os hormônios e outras substâncias responsáveis pela paixão eram substituídos por outros que provocam uma sensação mais calma, mais estável, que poderia durar a vida toda. Este processo mais “maduro” se constituiria na “química do amor”.

É incrível ver como as pessoas que hoje se vangloriam de ser tão esclarecidas se deixam levar por visões parciais com a da “química do amor” e, pior, como as absolutizam, como se abrangessem toda a verdade. Se um pesquisador se desse ao trabalho de pesquisar o ou acontece com a química do meu organismo enquanto escrevo este artigo, ou com a do seu enquanto o lê, registraria com certeza algumas alterações químicas que tornam possíveis ambas as atividades. O mesmo se diria do fato banal de alimentar-se ou de dormir, de assistir a um filme romântico, ou de aventura, ou uma comédia. Cada uma destas atividades provoca e ao mesmo tempo é alimentada por um processo bioquímico que as faz possíveis e as sustenta. Assim, definir o amor como uma cadeia bioquímica seria o mesmo que reduzir qualquer atividade do seria o mesmo que reduzir qualquer atividade do ser humano a processo semelhante, o que o reduziria a algo semelhante a uma roborizada proveta ambulante.

Para ser justo, algumas publicações mais tendentes para o científico reiteravam, ao longo dos artigos sobre o assunto, que o amor e a atração são o resultado de uma complexa interação entre os estímulos culturais, sociais, psicológicos e químicos. No entanto, mesmo esta visão mais “abrangente” sobre o assunto deixa a desejar que fico imaginando a indignação dos cientistas sérios ao verem a deturpação feita da finalidade e abrangência de seus muitos e cansativos anos de trabalho.

O homem não é somente corpo, nem somente psiquismo. O homem é também alma. É também imagem e semelhança de Deus que é amor. Aí está o segredo. Aí, também, a chave do discernimento. É amor tudo o que se aproxima da maneira que Deus ama. É desamor tudo o que se distancia dela.

O homem que crê ser movido por processo químicos e psicológicos se rebaixa tanto em sua dignidade que jamais poderá amar de forma real.

Fonte: http://www.news.va/pt/news/missa-em-santa-marta-como-uma-familia