[NOTÍCIAS DA IGREJA]

 

“Juntando os caquinhos da mãe que o mundo havia destruído em mim”

Gostaria muito de agradecer por cada sim dado a esse projeto que se transforma em canal da graça para transformar muitas vidas. Como um simples obrigado não é suficiente para agradecer por tantas bênçãos, gostaria de ofertar um pouco da minha história.

Meu nome é Nadja, tenho 32 anos e, como a maioria das mulheres da minha geração, fui educada, pelas circunstâncias e por nossa cultura, para valorizar a vida profissional. Minha mãe assumiu o papel de chefe da família e se tornou meu grande exemplo de mulher forte e guerreira. Cresci sonhando em ser independente, ao ponto de querer aprender sobre mecânica e consertos para não precisar de ninguém. Aos 12 anos, tinha minha vida acadêmica planejada e era disciplinada para alcançá-la. Minha intenção não era ruim. Almejava conhecimento para ter valor como pessoa, melhorar a vida dos meus pais e transformar o mundo em um lugar melhor. Casamento e filhos nunca foram parte dos planos.

Aos 16 anos, a curiosidade sobre um assunto de escola (assim acreditei na época) — o povo judeu — conduziu-me a um livro e um personagem que transformariam minha própria história. Na Bíblia, deparei-me com o que para mim era um personagem incrível: Jesus de Nazaré. Não sabia explicar o porquê, mas, naquela figura, encontrei tudo o que queria ser.

Certo dia, em meio às confusões de sentimentos com que a morte do meu pai me obrigou a entrar em contato, percebi que meus relacionamentos e sonhos, por melhores que fossem, não preenchiam a solidão, o vazio e a falta de sentido de vida que havia em mim. Pedi a Deus para me mostrar que Ele era mais que um personagem, que Ele podia transformar minha vida, como fez naquelas histórias. Mesmo sem que eu merecesse, assim Ele fez. Vivi, naqueles dias, uma grande experiência do amor de Deus. Jesus se tornou uma pessoa, um amigo, meu mestre, meu amor. Os dons guardados passaram a todo momento a apontar o grande amor de Deus por mim. Não havia mais vazio, nem solidão. Minha vida ganhou sentido.

Sonhava agora colocar meu conhecimento a serviço de Deus, mas do meu jeito. A família passou a ser uma possibilidade, mas só depois da minha pós-graduação, afinal, não havia contradição alguma em ser uma mulher cristã independente. Entretanto, a aprovação no tão sonhado curso de medicina não trouxe a realização que eu esperava; na verdade, foram anos de grandes batalhas interiores.

O desejo de ter uma família crescia, apaixonei-me pelo tema, li muito. As pessoas se tornaram mais importantes que os estudos e minha grande realização encontrei como catequista.

No tempo certo, conheci o homem que hoje é meu esposo. De cara, minha independência trouxe grandes dificuldades ao nosso relacionamento. Eu não sabia partilhar meus sentimentos, queria continuar resolvendo tudo sozinha, não sabia cuidar e tinha muita resistência em ser cuidada. Não fazia a mínima ideia do que era ceder e submeter-se; mesmo que fosse a Deus, ainda era inaceitável. Pouco a pouco, com ajuda e muita paciência do meu futuro esposo, fui encontrando minha feminilidade. Construir uma família, em Deus, tornou-se meu grande sonho e a necessidade de deixar os antigos surgiu. Abandonei minha tão sonhada e planejada pós-graduação ao entender que ela, de diversas formas, impedia-me de ser aquilo que, agora em Deus, eu sonhava ser.

Essa mudança de planos tornou realidade um grande desejo: receber o sacramento do Matrimônio e começar uma nova família, onde encontrei minha vocação. Caná se tornou uma realidade viva.

Entretanto, ter filhos era uma grande dificuldade para mim. Não usei métodos contraceptivos por pura obediência, sempre reforçada por meu esposo, mas a luta interna que se travou em mim daria outro testemunho. Eu tinha muito medo de que os filhos atrapalhassem minha vida profissional, financeira, minha liberdade e minha relação com meu esposo, mas o maior medo era que meu imenso egoísmo não me permitisse amá-los. Seria impossível abdicar de tanto por alguém.

Ganhamos a coletânea de palestras “Educar para o Céu”, do Padre Paulo Ricardo. Tudo começou a fazer sentido ali… mudou a minha forma de ver as crianças e o nosso papel como adultos. Assisti a outros vídeos, li textos, testemunhos, e Deus, pouco a pouco, foi juntando os caquinhos da mãe que o mundo havia destruído em mim. Certo dia, atendendo um bebezinho, senti forte no meu coração um sentimento que dizia: “É isso que eu quero, que você lute para preservar a inocência, lute contra o mal, devolva-o a mim melhor”. Senti muita segurança naquele dia. Duas semanas depois, descobri que estava grávida.

Muitas emoções brigaram dentro de mim. Senti medo de não ser uma boa mãe. Quis voltar no tempo, quis não ter engravidado, ter usado anticoncepcional. Senti-me irresponsável por conceber uma vida sem ser capaz de amá-la. Então pedi com muita fé a Maria que me ajudasse. Que o corpo da minha filhinha fosse gerado em mim, mas sua alma fosse abrigada em seu Coração Imaculado. Pedi também que ela me acolhesse em seu ventre e me gerasse uma nova mulher, uma mãe. Que assumisse com sua maternidade os momentos nos quais as minhas limitações me fizessem falhar.

Nesse dia, o coração de mãe em caquinhos que eu carregava foi restaurado, o medo deu lugar à esperança e vivi minha gravidez com muita alegria e gratidão. Que tempo abençoado, quanta providência de Deus, quanto amadurecimento. Infelizmente, as palavras não descrevem tamanha felicidade. Nasceu minha Gianna Maria e, com ela, eu nasci como mãe. Nos cuidados com ela e com meu esposo, na catequese, no acolhimento da Igreja que Deus nos confiou, encontrei o que tanto busquei, encontrei a mim mesma.

Senti-me revoltada algumas vezes. Mentiram para mim. Matrimônio não é prisão, filhos não são um peso, são o encontro com a vontade de Deus, com a vocação para a qual ele nos chamou. Existem sacrifícios? Claro, mas isso não é ruim, pelo contrário, é encontrar a grande alegria de se libertar de si, dos nossos caprichos, das nossas vontades, é caminhar em direção à verdadeira liberdade. Ainda há medo de errar? Sim, mas há esperança maior que Deus nos quer com Ele, que Maria nos acolhe, que os anjos batalham e os santos, especialmente minha querida Gianna Molla, intercedem pela salvação da nossa família.

Querido Padre Paulo Ricardo, queridos colaboradores do site, alunos e cada pessoa envolvida nesse projeto de evangelização, muito obrigada por lutarem também. Que a cada dia novas mulheres se encontrem consigo mesmas, com sua feminilidade e descubram a alegria da maternidade e da vocação à qual Deus nos chamou.

Referências

  • Testemunho enviado por Nadja ao nosso suporte, em 30 de outubro de 2016.

Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/juntando-os-caquinhos-da-mae-que-o-mundo-havia-destruido-em-mim