[NOTÍCIAS DA IGREJA]

Entre numa boa briga em 2020!

É hora de os católicos começarem a discutir. Não entre si, pois já fazem isso. É hora de debaterem com não católicos. E não sobre política e esporte, mas sobre religião, sobre os grandes temas, sobre a fé católica.

Digo isso porque acabei de ver os resultados de uma pesquisa sobre religião, publicada pelo Pew Research Center. Uma das perguntas feitas foi: “Em sua opinião, qual é a melhor coisa a se fazer quando alguém discorda de você em matéria de religião?”

As opções de resposta eram:

  1. Tentar persuadir a outra pessoa a mudar de ideia.
  2. Tentar entender a crença da outra pessoa e aceitar a discordância.
  3. Evitar discutir sobre religião.

Foram entrevistados protestantes (das mais diversas denominações), católicos e ateus/agnósticos.

Em média, 5% escolheram a primeira opção, 67% a segunda e 27% a terceira. Em outras palavras, dois terços da população não têm medo de debater sobre religião com alguém que discorda deles, mesmo que o único resultado seja manifestar as suas diferenças. Quase um terço evita qualquer discussão sobre o tema. Uma pequena minoria dos entrevistados — apenas um em cada vinte — está disposta a se posicionar firmemente em defesa de sua fé e a convencer a outra pessoa de que ela está equivocada.

Como os católicos se saíram nessa pesquisa, em comparação com os outros grupos?

Muito mal.

Na verdade, eles tiveram o pior desempenho em todas as categorias. Enquanto 10% de evangélicos ficaram na primeira categoria, apenas 2% de católicos estavam dispostos a tentar persuadir a outra pessoa a mudar de ideia. O dobro de ateus e agnósticos estava disposto a tentar convencer outra pessoa. Até as denominações históricas em declínio, conhecidas por sua tibieza em relação às doutrinas cristãs, atingiram a média de 5%. E os católicos? Dois por cento. Terrível. Patético.Quando alguém está disposto a ter uma discussão sobre religião, temos uma oportunidade de ouro para compartilhar a nossa fé.

No outro extremo, os católicos atingiram a porcentagem mais elevada entre aqueles que gostariam de evitar discussões sobre religião: 31%. Mesmo os ateus e os agnósticos se mostraram mais dispostos do que os católicos a discutir religião, apesar de não terem uma, e a defender a sua falta de fé. Os evangélicos tiveram o melhor resultado: apenas 18% se mostraram relutantes em participar de alguma discussão sobre religião.

Até a porcentagem daqueles que estão na grande categoria do meio (os que estão dispostos a escutar outra pessoa a respeito da fé dela apenas para “concordar em discordar”) serve de matéria para acusar os católicos. É claro que deveríamos escutar os outros, mas também deveríamos falar. Quando alguém está disposto a ter uma discussão sobre religião, temos uma oportunidade de ouro para compartilhar a nossa fé. Não deveríamos ter medo de um debate. G. K. Chesterton diz que o propósito de uma discussão é discordar para concordar; ao passo que o fracasso de uma discussão está em concordar em discordar. Em outras palavras, discutimos porque cremos que estamos certos e, em última instância, queremos convencer o outro a concordar conosco: discordar para concordar. O nome disso é ganhar o debate. Significa que nos importamos tanto com a verdade, que queremos que outras pessoas acreditem nela.

Só faz sentido acreditar em algo se cremos que estamos certos. E se assim cremos, por que não estamos dispostos a falar isso? Por que não estamos dispostos a dizer o motivo pelo qual não acreditamos em outra coisa?

Na conclusão de O Homem Eterno, Chesterton diz que o Evangelho é a boa notícia que parece muito boa para ser verdadeira. “Não é nada menos que a afirmação de que o criador do mundo o visitou pessoalmente.” Deus se fez carne, sofreu na carne, morreu de forma estranha e terrível e ressurgiu dos mortos, e a história mudou completamente. O mundo inteiro teve um recomeço. Ele encarnou a maior promessa já feita: a vida eterna. Seus seguidores que testemunharam tudo isso estabeleceram uma instituição que ainda existe: a Igreja Católica. A eles foi confiada a missão de compartilhar a boa nova que lhes fora dada, e a mensagem tem sido passada de geração em geração por dois mil anos.O Evangelho “não é nada menos que a afirmação de que o criador do mundo o visitou pessoalmente”.

Chesterton diz que o mundo está dividido entre aqueles que levam a mensagem do Evangelho e aqueles que ainda não a escutaram ou não conseguem crer nela.

Pense nisso. Temos a mensagem. As únicas outras pessoas que há no mundo são as que ainda não a escutaram ou não conseguem crer nela. Embora, sem dúvida alguma, vivamos numa cultura pós-cristã, a maioria das pessoas tem alguma familiaridade com as afirmações fundamentais da Igreja Católica. Já ouviram falar delas. A nossa missão é ajudá-las a crer. Isso significa que temos de estar dispostos a debater com elas quando discordarem de nós, a defender a fé quando ela for atacada, a afirmá-la quando for questionada e a demonstrá-la quando for rejeitada.

Não somente temos a mensagem, mas também o que o resto do mundo deseja: alegria, paz, lucidez e a resposta definitiva para o enigma do universo. Todas as pessoas estão em busca dessas coisas. Como podemos silenciar a respeito delas? O mundo não terá nenhuma chance se apenas 2% de nós estivermos dispostos a falar.

Fonte:  https://padrepauloricardo.org/blog/entre-numa-boa-briga-em-2020