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Entenda por que um santo do século XVI é modelo de liderança para empresas multinacionais.

Há quase 500 anos, Santo Inácio mostrou como liderar uma empresa global.

Quando Francisco tornou-se papa em 2013, o mundo inteiro o saudou. Francisco foi o primeiro papa das Américas e o primeiro jesuíta. Embora sua nomeação tenha chamado nova atenção para a Ordem dos jesuítas, a Sociedade de Jesus existe desde 1540, quando foi fundada por Santo Inácio de Loyola.

Um santo pode parecer uma inspiração inusitada para o reitor de uma faculdade de negócios, mas mais de 350 anos antes do primeiro MBA, Santo Inácio forneceu um modelo de liderança para empresas multinacionais. Muitos líderes organizacionais hoje se orgulhariam de reproduzir seus princípios e abordagem. Seu espírito empreendedor e suas habilidades de gestão levaram à criação de uma vasta organização global que prosperou e cumpriu sua missão por quase 500 anos. Esses princípios são subjacentes à McDonough School of Business, com sede na Universidade de Georgetown, a mais antiga instituição católica e jesuíta de ensino superior dos Estados Unidos, fundada em 1789.

Todo especialista em liderança enfatiza a importância de liderar pelo exemplo e de manter contato significativo com os que estão fora do alto escalão corporativo e da vida de privilégios. Santo Inácio nasceu no alto escalão corporativo. Como membro da nobreza, ele passou seus primeiros anos no equivalente do século XVI de uma vida de luxos. No entanto, ele entregou a frivolidade pela devoção a Deus, para caminhar com os pobres e sobreviver por meio da mendicância. Agora, admiramos o chefe executivo que almoça na cantina da equipe, assim como as imagens mais convincentes do Papa Francisco são aquelas em que ele emerge de seu pequeno carro e fica em contato com os menos privilegiados no mundo todo, literalmente tocando-os.

Santo Inácio entendeu que a governança compartilhada ajudaria a atrair e desencadear os melhores talentos. A liderança envolve não apenas articular uma visão, mas também inspirar os outros a segui-la e executá-la. Um exemplo é São Francisco Xavier, que viajou para Goa, Índia, em 1542, e criou a primeira escola jesuíta. Pense na coragem necessária para viajar para novas terras com pouco dinheiro e sem armamento. Ele teve coragem e um compromisso com a visão da “empresa” de fazer uma diferença positiva. Essa coragem é muitas vezes difícil de encontrar hoje em dia, pois enfrentamos os desafios dos negócios em um mundo mais integrado e hospitaleiro.

O tipo de humildade demonstrado por Santo Inácio gera confiança. Ele delegou responsabilidades em um momento em que a hierarquia rígida prevalecia. A confiança implícita nas práticas modernas de governança compartilhada, delegação e empoderamento dos funcionários está fundamentalmente enraizada na humildade de um líder.

Atualmente, é amplamente aceito que as organizações precisam de uma forte missão e cultura compartilhadas para criar e executar estratégias. Santo Inácio entendeu a importância disso para a Sociedade de Jesus. Através dos Exercícios Espirituais, das orações e das práticas contemplativas que desenvolveu e que ainda são amplamente praticadas, ele ajudou os jesuítas a entender quem eram e por quê. Quando morreu, sacerdotes muito distantes, como do Brasil e do Japão, sem conexão com a sede em Roma, foram guiados por um senso comum de propósito. Sem reuniões de tecnologia ou de pessoal, Santo Inácio uniu uma comunidade global de propósito e valores compartilhados.

Sacerdotes distantes, como do Japão, sem conexão com a “sede” em Roma, compartilhavam um propósito comum

Estruturas, sistemas e processos definem a vida de uma organização e o que ela faz bem de muitas maneiras. Santo Inácio explicou detalhadamente nas Constituições Jesuítas como a Sociedade de Jesus funcionaria. Ele delineou tudo, desde regras para quem quisesse entrar no seminário até o papel dos jesuítas idosos, incluindo como formar a organização, treinar pessoas e dar flexibilidade para estruturar a vida.

Santo Inácio enfatizou a necessidade de autorreflexão e autoconhecimento, como hoje incentivamos as pessoas a aprender sobre seus pontos fortes e fracos. Ele também deixou muito a cargo da decisão de pessoas da região, equilibrando a consistência global com a flexibilidade local.

Os princípios inacianos inspiraram gerações de líderes religiosos, educadores e estudantes, mas eu acredito que Santo Inácio também é um herói da administração. Os princípios e práticas criados por ele sobreviveram durante cinco séculos e estão no cerne de uma organização multinacional complexa que administra cerca de 360 escolas secundárias e 175 universidades em todo o mundo e envolve-se em diversas atividades, desde assistência à saúde até auxílio a refugiados. Guiada pelos princípios estabelecidos por Santo Inácio, a Sociedade de Jesus tem um histórico notável em melhorar o nosso mundo.

Fonte: https://blog.comshalom.org/carmadelio/53350-entenda-por-que-um-santo-do-seculo-xvi-e-modelo-de-lideranca-para-empresas-multinacionais