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Em entrevista Frei Patricio fala de unidade,missão e evangelização

Durante a Convenção Shalom 35 anos, em Roma, o comshalom entrevistou no dia 08 de setembro, por ocasião do Encontro Mariano da Comunidade Shalom, na Basílica de Santa Maria Maior, o presidente da celebração eucarística, Frei Patrício Sciadini, sacerdote carmelita, missionário no Egito e amigo da Comunidade. Confira!

 Frei Patrício, como o senhor vê a Comunidade Shalom nesse contexto de unidade com a igreja e com as demais comunidades e congregações?

Eu vejo que a Comunidade Shalom, eu vejo com os olhos do coração, os olhos da fé, do amor, que a Comunidade tem uma missão. Toda comunidade que tem no centro Cristo deve-se prezar pela unidade. A unidade é a coisa mais importante, porque é a grande oração de Jesus, em João 17: “Ó Pai, que eles sejam um”. Quando estamos unidos, revelamos o Cristo. Quando não estamos unidos, revelamos o diabo. Então a Comunidade Shalom tem essa missão, e é amada por todos. Os bispos a querem, o Papa Francisco falou na Audiência que quer a Comunidade Shalom.

Como eu vejo essa missão? Que onde a Comunidade se encontra me parece que em 27 países, e daqui a pouco 28, 40, 50, ser sempre esse centro de unidade, de fraternidade, de paz, de perdão. Anunciar a pessoa de Jesus. Quando se anuncia se vive Jesus, sempre estaremos unidos. Podemos ter diferentes opiniões, diferentes religiões, diferentes situações, mas tem algo que nos une, que é o respeito para com os outros, a capacidade de amar e de fazer o bem. A minha experiência da Comunidade Shalom é que é uma Comunidade de fraternidade, uma Comunidade onde as pessoas entram e se sentem bem, pela simplicidade e pela acolhida, pela maneira de ser. Isso devemos ter, esse espirito, desde o inicio. É porque a Comunidade Shalom nasceu de uma lanchonete, e ao vender os lanches, se não for simpático, não se compra os lanches. Então o Moysés é simpático, vendeu muitos lanches, e criou a Comunidade Shalom, de unidade e de paz.

O senhor que é de uma congregação tão antiga da igreja, como o senhor vê esse tempo novo que a Comunidade vai vivendo, dos seus 35 anos?

Eu vejo que a Comunidade Shalom neste momento é uma comunidade que está aumentando com a idade. O Carmelo surgiu em 1200, é velho. Mas também se o Carmelo quer continuar a ser fermento, a ser sal, a ser luz na igreja, deve se adaptar aos novos tempos. Hoje nós não podemos permanecer presos às estruturas, à maneira de pensar. É o Espírito Santo que nos envolve, que nos impulsiona para uma grande novidade.

O Papa Francisco tem uma frase que ele repete muito: Não podemos dizer: fizemos sempre assim, e vamos continuar fazendo sempre assim. Se fizemos sempre assim e vamos continuar fazendo sempre assim, então é a pastoral do cemitério, do museu. Quem anuncia o evangelho deve ter presente Lucas 4: O Espírito Santo está sobre mim, e me enviou e me envia a anunciar a Boa Nova, a quem? Àquele que encontramos no caminho. Aí tem uma pequena observação de Lucas: e Jesus sentou, e todos os olhos estavam fixos sobre Ele. E Jesus diz: hoje essa palavra se realiza. Se não realizamos no hoje a palavra de Deus, então nós anunciamos uma linguagem que o povo não entende, um pensamento que o povo não entende. Não é que o povo não ame a Cristo, mas é que nós vestimos às vezes Cristo com uma roupagem que não corresponde ao tempo de hoje. Devemos vestir uma carne de Cristo que seja uma carne visível. Nós devemos compreender que a missão do Bom Samaritano, de acolher, de fraternidade, tudo isso, a Comunidade Shalom tem a missão de começar a anunciar o evangelho aos jovens. Seria errado pensar que os da Comunidade Shalom ficam sempre jovens. A idade passa até para o Moysés, passa para vocês. O Papa brincou: “O Moysés é jovem ou é velho?”, “sou como o senhor”. É claro que aquilo que não pode envelhecer é o coração. Então esta união, esta fraternidade, passar as experiências, e claro que tendo os santos, como Teresa do Menino Jesus, João da Cruz, Teresa de Ávila, Elisabeth da Trindade, Francisco de Assis, e os santos são sempre pessoas que nos estimulam.

Aquilo que diria como mensagem à Comunidade Shalom, que continuem a anunciar o evangelho, mas se adaptem aos povos, às circunstâncias, aos lugares aonde nós vamos. Devemos encarnar a palavra de Deus com a roupagem, com a carne dos povos onde o Senhor nos enviar.

O senhor mora no Egito. A Comunidade Shalom está com um grande desejo de expansão missionária, de chegar, por exemplo, a Ásia, e nós sabemos dos desafios próprios desses lugares. O que a Comunidade não pode perder para alcançar o coração desses homens?

O problema não é a expansão ser muito ou ser pouco. O problema é ser presença. O muito ou pouco depende da força do Espírito Santo. Então nesses lugares em que vivemos, seja o Egito ou a Terra Santa, seja qualquer lugar, é ser presença de Jesus. “Vejam como se amam!”, e aí vão vir atrás, e mesmo se não vierem. Não se anuncia o evangelho porque os outros nos escutam, mas porque nós cremos no evangelho, porque nós cremos que Cristo se faz presente, mesmo se ninguém escuta. Se o grão de trigo não morre, não dá fruto. Eu tenho certeza de que a Comunidade Shalom vai chegar ao Egito, vai encontrar duas realidades: Jesus e um povo para amar. O resto é papel de embrulho. Muito obrigado, Deus abençoe!

Fonte: http://www.comshalom.org/em-entrevista-frei-patricio-fala-de-unidademissao-e-evangelizacao/