[NOTÍCIAS DA IGREJA]

 

“Castidade para todos”, pedem homossexuais ao Sínodo dos Bispos

Na última sexta-feira (2), às vésperas do Sínodo para as Famílias, um grupo de católicos que abandonaram o estilo de vida homossexual pediu aos bispos da Igreja que defendam a doutrina da Igreja sobre a castidade para todos os seus membros.

O apelo aconteceu durante um encontro na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (também conhecida como Angelicum), em Roma. Intitulado Living the Truth in Love (“Vivendo a verdade no amor”), o evento foi organizado pelo grupo Courage, um importante apostolado católico que oferece ajuda a homens e mulheres que sofrem com a atração por pessoas do mesmo sexo (AMS).

“Temo que a castidade poderia não ter uma voz suficientemente forte no Sínodo”, afirmou Rilene Simpson, uma das palestrantes do encontro. Em declaração à ACI, ela pediu o apoio da Igreja para o combate que eles travam contra o pecado.

“Estamos falando de castidade para todos. Estamos falando de castidade para as pessoas com atração pelo mesmo sexo. Estamos falando da castidade dentro do matrimônio e da castidade para quem se divorciou e voltou a casar-se”, disse. “Essa é uma bonita virtude, uma graça de Deus e uma forma de nos aproximarmos d’Ele.”

Rilene se converteu à Igreja em 2009, depois de viver um longo período de sua vida adulta em um relacionamento homossexual. Seu testemunho – bem como o de outros dois membros do apostolado Courage – está documentado no ótimo filme Desire of the Everlasting Hills (“Desejo das Colinas Eternas”), que foi exibido durante o evento em Roma.

Outro interlocutor do evento foi o terapeuta católico David Prosen, da Universidade Franciscana de Steubenville. Tendo vivido no estilo de vida homossexual antes de aceitar os ensinamentos da Igreja sobre a castidade, ele contou à ACI que, certa vez, um sacerdote lhe disse que “estava tudo bem ter relações sexuais como um homem, desde que ele o amasse”.

“Isso é muito prejudicial. Então, o que espero do Sínodo é que os padres sinodais realmente vejam a verdade do que somos, todos nós, homens e mulheres, com dons que Deus nos deu, porque somos criados à sua imagem e semelhança e porque somos seus filhos e filhas, e não por causa daqueles por quem nos sentímos atraídos”.

A apresentação de Prosen, com o título “Não sou gay, sou David”, mostrou as diversas lutas por que ele passou, até conhecer o Courage e entrar em um círculo virtuoso de amizades na Igreja. “Há profunda paz e alegria em uma vida casta”, ele assegurou.

David é um dos vários protagonistas de outro documentário católico sobre o mesmo tema. The Third Way: Homosexuality and the Catholic Church (“A Terceira Via: Homossexualidade e a Igreja Católica”) é uma produção da Blackstone Films e também pode ser assistido na íntegra pela Internet:

Pelo menos dois padres sinodais participaram do evento: o africano Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, e o australiano George Pell, Prefeito da Secretaria de Economia. Falando aos jornalistas ao fim do encontro, o Cardeal Pell disse que a Igreja ajuda as pessoas com atração do mesmo sexo há muito tempo. “Nenhuma ONG oferece mais ajuda e acompanhamento para, por exemplo, pessoas com HIV, que as paróquias, as comunidades, como o Courage, e as famílias cristãs. Estamos obrigados a isso, porque somos cristãos“, ele ressaltou.

A conferência também surgiu em resposta ao Sínodo da Família de 2014, no qual as pessoas que sofrem de atração pelo mesmo sexo não tiveram uma participação adequada, conforme indicaram os organizadores. “O que espero dos padres sinodais é que possam ver a verdade e não se deixem enganar por mentiras“, concluiu David Prosen.

Os testemunhos e declarações dos membros do apostolado Courage estão em plena comunhão com a doutrina e a prática pastoral da Igreja sobre a homossexualidade, expostas tanto no Catecismo (§ 2357-2359), quanto nos vários documentos católicos que já foram emitidos sobre o assunto.

Em um desses textos, assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger e endereçado aos bispos, afirma-se que “a pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual”. De fato, a verdade que a Igreja ensina aos seus filhos – tenham eles ou não atração pelo mesmo sexo – é, sobretudo, uma doutrina de amor:

“Toda e qualquer pessoa que vive sobre a face da terra conhece problemas e dificuldades pessoais, mas possui também oportunidades de crescimento, recursos, talentos e dons próprios. A Igreja oferece ao atendimento da pessoa humana aquele contexto de que hoje se sente a exigência extrema, e o faz exatamente quando se recusa a considerar a pessoa meramente como um ‘heterossexual’ ou um ‘homossexual’, sublinhando que todos têm uma mesma identidade fundamental: ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna.

Eis a verdade que todos – independentemente de onde estejam e do que tenham enfrentado em suas vidas – são chamados a encontrar. Eis a luz de Cristo, que ilumina as trevas mais profundas da angústia e solidão humanas. Se você está lendo este texto e sofre com o drama da atração por pessoas do mesmo sexo, deixe-se tocar pela graça divina e descubra, no coração da Igreja, a sua vocação ao amor e verdadeira identidade de filho de Deus! Entre já na desafiadora aventura de amar e descubra a “profunda paz e alegria” que existem em levar uma vida casta e conforme a vontade do Pai!

Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/castidade-para-todos-pedem-homossexuais-ao-sinodo-dos-bispos