[NOTÍCIAS DA IGREJA]

Absolutismo da Técnica viola dignidade do homem.

Para conseguir um desenvolvimento autêntico é urgente “uma formação para a responsabilidade ética no uso da técnica”: essa é uma passagem da recente encíclica de Bento XVI, “Caritas in veritate”, cujo último capítulo é dedicado, justamente, “ao desenvolvimento dos povos e à técnica”.

O Santo Padre ressalta que, “fascinada pela pura tecnologia, a razão sem a fé está destinada a perder-se na ilusão da própria onipotência”. E acrescenta: a pesquisa sobre os embriões, a clonagem “promovem-se na atual cultura do desencanto total, que pensa ter desvendado todos os mistérios”.

A propósito dessas reflexões do pontífice em sua Carta encíclica, a Rádio Vaticano ouviu o presidente da associação “Ciência e vida”, Dr. Lucio Romano, ginecologista da Universidade Federico II de Nápoles, sul da Itália. Eis o seu comentário:

Dr. Lucio Romano:- “O papa chama a atenção de todos para o problema – extremamente atual – do fato de a técnica hoje representar um dado a ser levado em consideração, diante também da passagem epocal de uma globalização das ideologias a uma espécie de globalização da técnica. Portanto, vemos que, sendo a técnica uma questão social é inevitável que a questão social enquanto tal evoque também uma questão antropológica. Aí entramos no cerne do problema, ou seja, a técnica não é absolutamente rejeitada pelo papa, mas, quando ela representa uma negação do homem, uma superação do homem vista numa ótica destrutiva – com todas as suas possíveis conseqüências – evidentemente não mais corresponde a uma ars ética. O papa defende uma técnica que se enriqueça de sentido e de valor. O sentido e o valor não podem ser encontrados a não ser na dimensão tipicamente humana de uma verdade antropológica, onde a liberdade se conjuga com a responsabilidade.”

A esse propósito, o papa ressalta em sua nova encíclica que hoje “um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética”…

Dr. Lucio Romano:- “De fato, uma bioética que tem como referência uma antropologia. Uma antropologia certamente personalista, com a dimensão de um personalismo ontologicamente fundamentado, onde se encontra, justamente, a dimensão de uma defesa e de uma tutela da vida, da concepção até a morte natural, e não uma bioética fundada numa absoluta dimensão de autodeterminação de liberdade que não respeita o homem. Consideramos como uma dimensão respeitosa do homem uma bioética que se ocupe da pessoa, que a assista, que tome conta dela, que esteja a seu lado, que proteja a sua vida e que a acompanhe também nas fases terminais naquilo que é o progredir, rumo à morte natural. Portanto, uma bioética que seja respeitosa do homem e que desenvolva uma pesquisa científica que não seja, porém, substitutiva do respeito e da dignidade do ser humano.”

Fonte: https://blog.comshalom.org/carmadelio/2641-absolutismo-da-tecnica-viola-dignidade-do-homem