[NOTÍCIAS DA IGREJA]

 

A mulher, a pílula e o empoderamento. Alguma relação entre eles?

A mulher é aquela que pode transformar todos os ambientes onde estiver: o lar, o trabalho, a escola, a sociedade, se ela conhece, reconhece e vive segundo seu genuíno valor e sua verdadeira identidade. Ela tem um papel significativo a desempenhar. E reencontrando seu lugar, tudo o mais se ordena. Assim escrevi há pouco tempo em um texto para falar do universo feminino. E a partir disso, gostaria de convidá-los a uma breve reflexão sobre o “empoderamento da mulher” e o uso da pílula anticoncepcional.

É cada vez mais frequente se ouvir nas conversas triviais a palavra “empoderamento” ou a expressão “mulher empoderada”. Parece que usar essa palavra é sinal de que a pessoa está inteirada com a modernidade, que não está desatualizada. A palavra se espalhou como aqueles bordões feios (e muitas vezes de mau gosto) que saem da mídia para as ruas. E isso não faz muito tempo. Particularmente acho o termo “empoderada” feio, bruto, impreciso e confuso. Não pretendo discutir aqui ou fazer uma análise etimológica do termo. Mas, como disse, apenas refletir um pouco a esse respeito.

Vale destacar que a palavra empoderamento é um neologismo, com origem no termo inglês empowerment, que significa obtenção, alargamento ou reforço de poder. Para quem não sabe, Paulo Freire foi quem mencionou pela primeira vez essa palavra. E a partir daí ela se disseminou. Reitero que é um termo confuso. Tanto é que distintas áreas do conhecimento tem se valido dele, bem como muitos governos quando falam, especialmente, de governança, de melhoria na qualidade e na prestação de serviços públicos, das pautas dos movimentos sociais, entre outros. Ou seja, tem sido usado com frequência.

É curioso, no entanto, que para o homem não se usa essa palavra. Ao menos nunca ouvi por aí algo como “homem empoderado”. O que revela que o homem não precisa disso para se definir como pessoa com valor, dignidade, capacidade. No caso da mulher, notadamente nos dias atuais, usar a expressão “mulher empoderada” parece que é o que confere a ela valor e dignidade. Ou seja, isso mostra que ela mesma não se enxerga como pessoa que tem direitos, valor, que é capaz, mas precisa de um termo para provar isso. Precisa, em relação a esse aspecto, viver se autoafirmando.

Isso, obviamente, serve muito à grande mídia, a determinados interesses de grupos específicos, à propaganda e até ao mercado, já que é um “conceito novo” para ser explorado e vendido.

Vejo contrassenso, também a respeito da mulher, na disseminação e propaganda de incentivo de uso de métodos artificiais de contracepção. Os fabricantes dos contraceptivos têm faturado muito dinheiro, é um mercado que traz lucros altíssimos. Mas o que a gente percebe é uma grande desinformação das pessoas a respeito dos efeitos colaterais, danos e riscos à saúde da mulher provocados por esses métodos artificiais de contracepção. Poderia listar inúmeros males à saúde da mulher causados pela pílula, pelo DIU etc. Mas vou me deter aqui sobre a pílula anticoncepcional.

Há diversos riscos para a saúde no uso das pílulas anticoncepcionais, pois elas contêm hormônios sintéticos potentes. Na bula que vem acompanhada das pílulas, lê-se que a usuária pode sofrer efeitos adversos, tais como: ataque cardíaco, AVC, coágulo sanguíneo, câncer de fígado ou de mama, doenças na vesícula, dor de cabeça, sangramentos, gravidez ectópica, ganho de peso, depressão, infecção por fungos, alterações na curvatura do olho, crescimento excessivo de pelos em locais não usuais, queda de cabelo, acne, perda da visão parcial ou completa, diminuição da libido etc. Ou seja, é uma bomba hormonal para o corpo da mulher. Mas é vendida com a sedutora propaganda da “liberdade feminina”, da “mulher feliz, independente, livre e realizada”.  Será mesmo? Na propaganda não se fala dos inúmeros riscos à saúde ou mesmo que a pílula seja potencialmente abortiva.

É oportuno mencionar que, quando a pílula surgiu, a dose hormonal de sua composição era muito alta e os efeitos colaterais eram devastadores. Assim, tempos depois, reduziram as doses, combinaram hormônios e diminuíram os efeitos colaterais. Porém, não é sempre que a pílula inibe a ovulação, mas age atrofiando o endométrio, o que impede eventual fixação do embrião no interior do útero.

Ou seja, nem tudo que se fala ou se rotula como próprio da mulher corresponde realmente à verdadeira identidade, dignidade e valor da mulher. Nem tudo o que se vende como algo bom para a mulher faz bem à saúde dela. Ora, só para se ter uma ideia, o próprio Carl Djerassi, apelidado de o pai da pílula, que foi um dos idealizadores da pílula anticoncepcional oral, declara no final de seu trabalho que o ideal é que a mulher conhecesse e reconhecesse ela mesma o seu ciclo, os ritmos naturais de seu corpo, os períodos fecundos e infecundos ao invés de precisar de usar a pílula. Cabe aqui parar e pensar a respeito, não!?

Portanto, um olhar mais atento e sensível para a mulher revela que nem a expressão “mulher empoderada” nem a pílula se ajustam ao universo feminino. O valor, a dignidade ou a capacidade da mulher não precisam de um termo feio, bruto e confuso para afirmar isso. E a verdadeira liberdade, independência e realização da mulher estão em ela mesma enxergar-se como pessoa, com direito e dignidade, buscar a realização de seus sonhos e projetos, consciente da beleza e dos ritmos naturais de seu próprio corpo.

Dayane Negreiros

Fonte: https://www.semprefamilia.com.br/reginas/a-mulher-a-pilula-e-o-empoderamento/