Consagra-te à Maria!

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Qual o seu motivo para não se consagrar à Virgem Maria?

Pergunta incomum e inesperada talvez, mas ao mesmo tempo verdadeira e coerente. De fato, quais os motivos que nos podem justificar uma não consagração de nós mesmos à Nossa Senhora. Talvez a falta de segurança sobre o real significado e catolicidade de tal gesto devocional. Mas então, vamos lá.

O termo “consagração” designa ato ou rito de tornar sacra uma coisa ou pessoa. Através deste mesmo, aquele ou aquilo que é consagrado se torna propriedade de Deus, não por um tempo determinado ou com data de validade, mas perpetuamente. A consagração, portanto, particularmente de uma pessoa, é um ato de entrega de si mesmo por meio do qual a totalidade do ser daquele que se consagra se torna um pertence de Deus para sempre.

Consagrar-se realiza na pessoa que o faz uma certa mudança “quase ontológica”, isto é, uma transformação da existência pessoal que chega a tocar a sua essência pessoal. Uma pessoa consagrada assume, pelo ato mesmo da consagração, uma nova particularidade de vida e um diferente modo de relacionar-se com o Senhor à quem se consagrou, não apenas identificada com ações práticas e gestos concretos a serem realizados e produzidos, mas principalmente com a renovada forma de vida e consciência da consagração feita. Isto não é diferente quando o meio da consagração à Deus é a Virgem Maria, Mãe de Jesus.

Como sempre, a meta final e central da vida de todo discípulo de Cristo é o amor trinitário e a comunhão de vida divina conquistada através do mistério pascal do Filho de Deus. Nesta dinâmica espiritual, comparece a Virgem Maria como elo essencial no plano divino da salvação, revestida da veste sagrada de medianeira junto ao Mediador, Jesus Cristo, assumindo um papel impar na história da salvação, qual Mãe do Redentor e Mãe do povo redimido.

Um dos fundamentos bíblicos para a consagração à Nossa Senhora se encontra no Evangelho segundo João, onde, aos pés da Cruz de Jesus, presente está Maria, tendo ao seu lado o apóstolo João. Nesta ocasião, em seu testamento de amor infinito, o Senhor dá João como filho à Maria, e dá ao discípulo amado sua própria Mãe (cfr. Jo 19,26-27). O texto conclui-se com a afirmação que o discípulo acolheu Maria “em sua casa”, dando a conotação da acolhida por parte do discípulo da entrega que lhe havia feito o Salvador. Importante, porém, ressaltar que o primeiro ato de entrega diz respeito à Mãe, isto é, primeiro Jesus dá o filho à Maria, em seguida dá a mãe ao discípulo. Sendo assim, o primeiro ato sustenta o segundo, tendo sido a entrega do filho fundamento da entrega da Mãe. Cristo na cruz consagra os filhos de Deus à Virgem Maria (consagração descendente), e nós devemos receber “em nossa casa”, ou seja, com um ato de acolhimento e entrega de nós mesmos à ela, a oferta feita-nos pelo Senhor, aderindo totalmente, pela doação de nossa vida inteira à Maria, ao caminho e forma de existência que nos conduz ao fruto bendito da cruz, que é a salvação eterna (consagração ascendente).

“‘E, a partir daquele momento, o discípulo levou-a para sua casa’ (Jo 19, 27), esta afirmação quer dizer, certamente, que ao discípulo foi atribuído um papel de filho e que ele tomou ao seu cuidado a Mãe do Mestre que amava. E uma vez que Maria lhe foi dada pessoalmente a ele como mãe, a afirmação indica, embora indirectamente, tudo o que exprime a relação íntima de um filho com a mãe. E tudo isto pode encerrar-se na palavra ‘entrega’. A entrega é a resposta ao amor duma pessoa e, em particular, ao amor da mãe” (São João Paulo II, Redemptoris Mater, 45).

A consagração à Nossa Senhora, portanto, afunda suas raízes na maternidade espiritual mariana que todos os filhos de Deus carregam consigo desde o batismo. Esta maternidade, por si só, é suficiente para o relacionamento vivo e profundo com nossa Mãe do céu. No entanto, quis a divina sabedoria que fôssemos ajudados e conduzidos pelas mãos amorosas de uma mãe, que é também a mais especial de todas as mães, aquela que tem o coração imaculado, portador do mais puro e singelo amor de Deus, capaz de nos conduzir sem erros rumo à felicidade eterna que o Senhor nos preparou.

Na compreensão do sentido profundo da consagração à Virgem Maria podemos colher elementos suficientes para o nosso convencimento da sua eficácia e solidez espiritual. Porém, apenas na realidade da experiência com o amor e o carinho materno de Maria, sua beleza imaculada e sua ternura inigualável, se pode acolher o convite dela mesma para unir-nos ao seu coração, desejando ser cada dia mais pertencentes à Deus, propriedades suas e nunca, jamais separar-nos dele.

Maria, nossa Mãe do céu, nos alcance esta graça. Amém.

Pe. Everton Vicente Barros
Comunidade Católica Palavra Viva