Acolher com amor o Divino Salvador

Acolher o Senhor. O grande desejo da alma do ser humano é aquele de encontrar-se com o infinito. Tal anseio profundo indentifica-se com a busca pela eternidade, pela vida que não termina, pela felicidade como ingrediente fundamental para uma que tenha sentido. Todos estes elementos de plenitude nada mais fazem que direcionar o homem a Deus, Bem Supremo, qual primeiro princípio e fim último de toda existência. Neste sentido, acolher o Senhor torna-se o conseguimento do objetivo maior que cada um de nós carrega em seu coração. A celebração do Natal de Jesus Cristo realiza este desejo, anseio e objetivo.

Ao celebrarmos o Natal do Senhor, atingimos a meta a que nos propomos quatro semanas atrás, ou seja, nos comprometemos a estarmos preparados para a chegada de Jesus que deveria nascer em nossas casas e famílias, com todo o carinho e amor que ele merece de nós, deixando longe de nossas vidas tudo aquilo que possa impedir que o Senhor que nasce se sinta bem acolhido por nós. A meta que nós havíamos assumido nos tinha sido apresentada pela Igreja: receber Jesus com o amor e o carinho com que sua Mãe o recebeu. Um objetivo alto, mas de forma alguma demasiado, pois o menino que nos nasce merece todo o nosso empenho.

O mistério do Natal no envolve de maneira tal que não se pode deixar de contemplar a grandiosidade de Deus em sua sabedoria que, desde sempre, desejou que os homens fossem salvos da forma mais perfeita possível. E esta perfeição do projeto de Deus podemos ver em Cristo. Nele todos os anseios da humanidade são atendidos, todos os conflitos são apaziguados, todas as tristezas são mudadas em alegria e o luto em festa da vida. Nosso Senhor, ao nascer da Virgem Imaculada, manifesta de forma sublime e definitiva o infindável amor de Deus por nós. Amor que não se prende a protocolos e formalidades, nem a status ou graus de subordinação, pois somos apenas servos de divindade, mortais e frágeis diante da imensidão da obra criada e, no entanto, o Criador não desdenhou fazer-se membro desta humanidade sofrida e necessitada de salvação. Eis o que contemplamos ao olharmos para o presépio neste dia santo. Contemplamos a grandeza de Deus encerrada na pequenez e na fragilidade de uma criança. Não pode existir coração tão duro que não se enterneça diante de tão grande e amorosa doação. Não há força bruta ou grandeza humana que se arvore a suprimir tal beleza modesta qual a do Senhor que nasce, humilde e pobre de pais pobres e no berço mais pobre possível.

Em uma noite de alegria e festa como é a do Natal, somos convidados pela nossa própria consciência a refletirmos sobre nossa disposição em acolher Jesus. Quando nasceu, há muitos anos atrás, não recusou receber o que de melhor podia ganhar de seus santos pais, ainda que fosse uma simples manjedoura, destinada a alimentação dos animais daquela região, cedida pela natureza ao Criador de todas as coisas para que encontrasse conforto em um instrumento de madeira aquele que não encontrou lugar nos corações endurecidos dos homens. Hoje, nesta festa, podemos socorrer a indigência do Menino Jesus, acolhendo-o em nossos corações como a Virgem Maria e São José o acolheram nos seus, com o mesmo carinho, com a mesma admiração, com o mesmo amor.

Se hoje o mundo festeja o Natal, lembremos que em muitas casas o lugar que deveria ser destinado ao menino Deus é ocupado pelo deus Mamona, pela ganância de bens materiais e futilidades, pela discórdia e pelo pecado, todas realidades que roubam do homem a felicidade que, a duras penas, o Cristo nos conquistou. Por isso, nós cristãos, devemos viver bem o Natal, unidos a toda a Santa Igreja, cantando os louvores de Deus, celebrando a sagrada liturgia com devoção e amando a todos como irmãos e irmãs, grande desejo do Senhor.

Façamos festa! Fiquemos alegres! A palavra final de Deus foi procunicada. O amor infinito de Deus vence as trevas da noite do pecado como as luzes de Natal vencem a escuridão de nossas noites. O Emanuel, o Deus-conosco já chagou e agora a luz do Salvador brilha sobre nós.

“[…] eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 10-11).

Pe. Everton Vicente Barros
Comunidade Católica Palavra Viva