A paciência é uma virtude!

Uma notável capacidade do ser humano é, sem dúvida, a de produzir. De fato, o homem consegue realizar coisas surpreendentes, desenvolver projetos arquitetados na sua mente de forma orgânica e bem determinada, colocando em prática a ideia imaginativa de maneira a construir qualquer coisa que seja possível ser construída. São prova disso os modernos arranha-céus das grandes cidades, mas também coisas simples, mas engenhosas, como um rádio.

Diante de tanta capacidade, o ser humano sente também o chamado interior a realizar o que o realiza, isto é, sente a necessidade sempre constante de produzir algo na própria vida que seja capaz de transcender a sua existência; algo que ultrapasse ele mesmo, deixando uma marca no mundo e, ao mesmo tempo, uma tranquilidade na alma, própria de quem soube viver a vida no seu máximo de realização.

Ao mesmo tempo, nós, seres humanos, nos deparamos com nossa realidade pessoal limitada, que não permite que demos “passos maiores que as pernas”, como gostaríamos. Tal experiência se pode constatar também quando nos vemos diante de escolhas que podem mudar o rumo do nosso modo de ser e de existir. Uma destas escolhas é a escolha vocacional, onde uma pessoa deve dar uma resposta a um chamado oriundo de uma eleição previamente feita por Deus. Escolher a escolha divina é sempre um prazer, mas não por isso fácil, nem simples.

Dar a resposta à própria vocação pode vir a ser difícil ou complicado, principalmente, em razão da nossa impaciência, ou seja, por causa da nossa dificuldade em confiar na divina providência e nossa facilidade em confiar em nossas habilidades e capacidades, chegando a desejar apressar o caminho que Deus, em sua sabedoria, desenhou para cada um. Exemplo claro disso se pode notar quando um jovem almeja demais dar uma resposta ao que sente como sua vocação, mesmo que isso implique contrariar os conselhos daqueles que o acompanham; ou então o que acontece quando uma pessoa já está na caminhada vocacional, mas não consegue esperar o tempo de Deus para a sua conversão e amadurecimento, desejando ser imediatamente como seus formadores, ou ainda, imitar em tudo as obras dos santos, as quais só foram possíveis depois de muitos anos de combate e lapidação nas mãos amorosas e firmes do Senhor.

A origem da palavra “paciência” está no latim patientiae, que indica a capacidade de suportar algo que faz sofrer. Assim sendo, não podemos pretender que a espera por uma resposta, o aguardo pelo recebimento de uma graça ou de um impulso no caminho da conversão e da santificação seja isenta de uma abnegação de si, além de uma certa dose de sofrimento. Obviamente que este sofrer não será dos maiores que se pode provar na vida, mas com certeza trará consigo seu fruto através da perseverança.

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Tal é a certeza daqueles que sabem ter paciência e reconhecem no Senhor o grande motivo da esperança, pois ele é sempre bom e misericordioso, nunca nos deixa sofrer se desta prova não retira bens muito maiores. “Espera no Senhor e faze o bem; habitarás a terra em plena segurança. Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração ele atenderá. Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá” (Sl 36,3-5).

Saber superar as provas da vida, mesmo aquelas contidas já no caminho do serviço do Senhor, é sempre uma escola de discipulado na qual aprendemos a confiança em Deus e o reconhecimento dos nossos limites. Apenas o Senhor é imenso e tudo pode realizar. Mas, com ele, nós que somos simples homens, nos tornamos capazes de realizar as grandes obras que em seu designo de amor nosso Deus preparou.

Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! 

Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança.

Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta

(Santa Teresa d’Ávila)

Pe. Everton Vicente Barros
Comunidade Católica Palavra Viva