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“O que eu faço se a ciência me diz uma coisa e a

religião me diz outra?” Há uma suposição

falsa no centro dessa questão

 

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“Não devemos ter medo se a ciência e a religião, por vezes, nos dão imagens diferentes do universo de Deus”.

 

A opinião é do irmão jesuíta Guy Consolmagno, astrônomo do Observatório do Vaticano.

 

“O que eu faço se a ciência me diz uma coisa, mas a religião me diz outra coisa? Em qual delas eu acredito?”

 

Há uma suposição falsa no centro dessa questão, porque nem a ciência nem a religião têm a ver com acreditar em “coisas”.

 

Nossa crença religiosa não é uma “coisa”, mas uma pessoa – na verdade, três pessoas. A nossa fé está no Pai, Filho e Espírito Santo, conforme descrito e identificado no Credo e na Igreja que nos leva a essas pessoas.

 

As palavras do Credo são importantes justamente porque elas identificam um Deus muito específico: o Pai, fora do tempo e do espaço (já presente no início) que deliberadamente escolheu criar tempo e espaço, e que ama este universo; Jesus, que encarnou neste universo pelo Espírito Santo, nascido de Maria, que viveu em um determinado momento, morreu de uma forma particular, foi ressuscitado em um determinado momento; e esse mesmo Espírito Santo agora enviado a nós como nosso advogado, presente neste universo e em nossa Igreja.

 

Quando o Credo foi escrito, havia uma abundância de outros deuses que algumas pessoas queriam acreditar. Mas nós, cristãos rejeitamos especificamente os deuses da natureza pagãos. Nós não acreditamos neles assim como não adoramos algum outro homem chamado Jesus, que viveu em um tempo e lugar diferentes, e tinha uma história diferente do Jesus que nós chamamos de Senhor.

 

É tentador voltar a nossa adoração do Criador para adorar um deus da natureza, que se articula com a forma de como as coisas funcionam no mundo natural, como uma força similar à eletricidade e à gravidade. É a mesma tentação de adorar uma versão de “Jesus” que era apenas um “cara legal” que acabou tendo um final infeliz, ou de uma versão de “Jesus” que era apenas uma divindade vestida com uma vestimenta de homem. Tanto o deus da natureza quanto o “Jesus” simplificado são fáceis de entender e compreender; mas são falsos. Eles não são o que os cristãos acreditam.

 

Assim como é complicado entender Jesus tanto como verdadeiro Deus quanto verdadeiro homem, é difícil de entender como o Criador relaciona-se com a criação. É aí que entra a ciência.

 

A ciência é a nossa melhor maneira de descrever como o universo se comporta. Você pode dizer que, onde a fé nos diz que Deus criou o universo, a ciência nos diz como ele fez isso.

 

A ciência é importante precisamente porque “a ciência pode purificar a religião do erro e da superstição”, citando o Papa João Paulo II. Mas a ciência nunca está finalizada; nunca é perfeita. É um entendimento humano da verdade. A descrição da verdade pela ciência é humanamente compreensível, mas é sempre uma descrição incompleta. Ciência é entender, buscar a verdade – constantemente se aproximando da verdade, sem nunca apreendê-la totalmente.

 

É aí que entra a religião. Para citar São João Paulo II mais uma vez, “a religião pode purificar a ciência da idolatria e dos falsos absolutos”. A religião nos dá verdades e absolutos que a ciência não tem poder para contradizer. Mas, enquanto a religião começa com verdades, devemos reconhecer que elas são sempre compreendidas imperfeitamente.

 

À medida que experimentamos Deus na oração, na vida, na teologia, constantemente, temos momentos em que podemos dizer: “Ahá! Agora eu vejo um pouco melhor o que isso significa”. A religião é a verdade em busca de entendimento.

 

Assim, não devemos ter medo se a ciência e a religião, por vezes, nos dão imagens diferentes do universo de Deus. Isso é de se esperar; ambas são ainda obras em andamento. A ciência nunca poderá refutar (ou provar) um ponto da religião mais do que nossa atual compreensão da nossa fé poderá negar (ou confirmar) uma teoria científica. Em última análise, “a verdade não contradiz a verdade”, para citar João Paulo II mais uma vez.

 

Além disso, a religião é onde a nossa compreensão do mundo físico está situado no universo mais amplo, que inclui não apenas os átomos e as forças, mas também os desejos humanos que nos fazem querer entender os átomos e as forças, para chegar mais perto do Criador, experimentando e valorizando a sua criação.

 

O fato é que a ciência tem o seu credo fundamental também. Um cientista tem que acreditar que o universo físico é real, não uma ilusão; que opera por leis maiores que o próprio universo, e não pelos caprichos dos deuses da natureza; e que a compreensão dessas leis é algo bom em si mesmo, não apenas como uma forma de controlar a natureza, mas como uma forma de estar em um relacionamento com a natureza, uma maneira de desfrutar, apreciar e amar a criação. Observe como esse credo está em completo acordo com o credo cristão, e de fato desenvolve-se a partir dele.

 

Claro que, se você optar por ser um materialista e ateu, Deus não vai impedi-lo. Se você quiser assumir que o universo físico não é nada mais do que átomos e forças, então você pode ter sucesso em olhar para o universo inteiro e não ver nada, apenas átomos e forças. Você pode até mesmo fazer algo que se pareça com a ciência com esse pressuposto.

 

Mas, assumindo que existem apenas átomos e forças, você vai perder coisas como a beleza, a verdade e o amor. Você vai perder as coisas que fazem você querer fazer ciência em primeiro lugar.

 

 

 

 

Disponível em carmadelio <http://blog.comshalom.org/carmadelio/52560-o-que-eu-faco-se-ciencia-me-diz-uma-coisa-mas-religiao-me-diz-outra-coisa-ha-uma-suposicao-falsa-no-centro-dessa-questao> acessado em 13 de maio de 2017.

 

 

 

 

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