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       Ser puro para amar

 

 

reflexão 000

 

 

“Por que ser puro?”, ou melhor dizendo – visto que vivemos em uma era profundamente marcada pelo consumismo (que reduz as pessoas e as relações a objetos de compra e venda), pelo hedonismo (onde o prazer se torna um deus que distribui sensações a aparentes baixos custos) e pelo egoísmo (que induz à firme crença de ser o autêntico centro da própria existência): “O que ganho sendo puro?”. Um tal questionamento é muito corriqueiro no nosso cotidiano, ao qual a resposta soa tão simples quanto a pergunta: “Nada”. Isto mesmo, nada. Porque aquele que vive a pureza, mais do que guardá-la por causa de si mesmo, o faz pelo outro. Como um pai de família que guarda a pureza no seu comportamento por causa da boa educação dos filhos e do amor pela esposa; ou como uma consagrada que vive a pureza no meio do mundo, através do desapego do mundo, para mostrar a este mesmo mundo a realidade da eternidade escondida na sua vida entregue a Deus; ou como o sacerdote, que sendo pai de todos os filhos de Deus, se dedica para ser cada dia mais igual ao Cristo, casto e doado, para que os homens reencontrem o caminho da santidade e da salvação; ou ainda como um jovem, imerso na vida e no cotidiano da própria família e amigos, faz resplandecer na própria vida a beleza do puro amor de Deus pela humanidade. Assim sendo, aquele que vive a pureza se torna alguém em estado de contínua doação à Deus e aos homens.

 

Diante de uma tal realidade muitos poderiam objetar que a castidade – a grande guardiã da pureza – não seria que um bloqueio opcional feito por alguns com o fim de evitar traumas decorrentes de relacionamentos interpessoais. Tais afirmações nada acrescentam na reflexão filosófica e nem psicológica, visto ser algo de extrema redução e incapacidade de observação do ser humano em um campo de visão que ultrapasse os meros instintos e necessidades biológicas. O homem é também alma, não devemos esquecer. E é justamente na alma que atua a castidade, que não é apenas um compromisso racional, nem somente um tipo de comportamento assumido. A castidade é uma virtude, dada por Deus aos que desejam e ensinada pelo Espírito Santo, doce hóspede das nossas almas.

 

Ser casto não significa deixar de amar ou amar com menor intensidade, mas sim um amar autêntico e verdadeiro, que não depende de condições para acontecer, nem físicas, nem afetivas. Sim, o amor não é necessariamente ligado ao afeto, isso porque o amor não acontece apenas quando é precedido ou garantido pelo “gostar”, que é uma manifestação afetuosa em relação a alguém que dá alegria e satisfação com a própria presença. Nosso Senhor Jesus nos pediu o amor pelos inimigos, sendo assim, somos chamados a amar a todos, mesmo que não gostemos de todos, por motivos que, muitas vezes, só a vida pode explicar.

 

A castidade é a virtude que eleva o coração àquilo que os olhos não conseguem ver, seja já neste mundo, seja na vida eterna que virá. Quem é casto possui a pureza do olhar, que consegue ver as outras pessoas pelo que são, com suas qualidades e eventuais defeitos, e vê beleza em tudo isso. Os olhos castos não se prendem à imaginação e à fantasia, produzindo a ânsia de dominar o outro, mas se dedica a olhar e ver no outro um igual, de igual dignidade e alvo de igual amor, aquele de Deus. Desta forma, não se é difícil amar, pois o bem do outro sempre estará em primeiro lugar no coração casto.

 

Com certeza se é esperado algo diferente destas linhas, quase um elenco dos métodos para se fugir dos pecados da luxúria ou um engrandecimento daqueles que se dedicam a não cometer tais pecados. Fugir do pecado é, de fato, a grande chave para não pecar; e viver em estado de graça, sem cometer estes pecados contra a castidade é um dever de todo cristão, além de um caminho reto para a santidade. Mas devemos dizer que não se pode pretender a castidade apenas como uma fuga do pecado, mas como um aperfeiçoamento do amor. Aquele que busca viver castamente deve viver de forma a manifestar que a castidade é uma garantia de liberdade, um selo de autenticidade da alegria experimentada e transmitida. Tudo isso apenas se torna realidade quando o doce perfume de Cristo é exalado pelos atos de amor que realizamos e pela santidade de vida que vivemos. Esta santidade tem então força para mudar até mesmo a realidade que está ao nosso redor, mudando os paradigmas e derrubando as falsas compreensões, além de conduzir os homens à maior Glória de Deus.

 

No infinito amor de Jesus, recebido do seu coração e ancorado na sua salvadora Paixão, aprendemos que o verdadeiro sentido da vida é saber amar, amando com liberdade a Deus e aos irmãos. “É teu amor Jesus que eu peço. É teu amor que há de me transformar. Põe no meu coração tua chama que consome, e poderei te bendizer e amar” (Santa Teresinha do Menino Jesus, Como quero amar, Poesia 41, 1).

 

 

 

 

Pe. Everton Vicente Barros

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