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“O meu lugar é o céu”

 

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As aparições de Nossa Senhora em Fátima constituem um dos eventos proféticos mais significativos dos últimos séculos, em primeiro lugar pela grandiosidade da mensagem deixada pela Mãe de Jesus que envolve toda a humanidade dentro da dinâmica do amor a Deus que gera conversão e reparação; em segundo lugar pela simplicidade dos videntes, três pequenas crianças, analfabetas e totalmente privadas de qualquer pré-julgamento em matéria. Tal evento traz consigo um particular apelo divino, ou seja, o pedido da conversão dos pecadores e da reparação dos Corações de Jesus e Maria, constantemente atacados pelos homens. Estas intenções foram acolhidas pelos pastorzinhos, ensinadas por eles e vividas até hoje por muitos fiéis ao redor do mundo, que abraçam as súplicas da Virgem Maria que, qual mãe zelosa, nos alerta sobre aquilo que devemos fazer evitar o longo do caminho para o lugar de onde ela mesmo veio e deseja levara a todos os amados filhos de Deus.

 

Na primeira aparição em Fátima, em 13 de maio de 1917, à pergunta de Lúcia sobre o lugar ao qual pertencia a senhora vestida de branco e fulgurante de luz e beleza, a mesma responde: “O meu lugar é o céu”. Tal resposta gera em Lúcia a mais inocente e coerente questão que coloca à Mãe de Deus – naquele momento ainda sem ter certeza de sua identidade –, isto é, se ela e seus primos, Francisco e Jacinta, iriam para o céu, obtendo confirmação da senhora acerca de sua salvação (cfr. Documentação Crítica das Aparições de Fátima, Doc. 1, 30).

 

Este episódio é particularmente interessante, pois as crianças ainda não tinham consciência que aquela senhora fosse a Virgem Maria, apenas algum tempo depois se colocaram tal questão, e não obstante isso, ao saberem se tratar de alguém que vinha do céu, imediatamente perguntam sobre a sua própria salvação, se também iriam poder tomar posse daquele Reino Bem-aventurado na eternidade. O que gera impressão é o fato de serem apenas crianças e, como tal, poderiam ter se concentrado em outras curiosidades à perguntar aquela senhora celeste, saber da vida de outras pessoas, do destino eterno de conhecidos – o que de fato ocorrerá apenas nas aparições seguintes -, mas não, apenas questionam se também iriam para o céu. Quanta pureza de intenção, obviamente consequência de um coração que estava já voltado para o céu, desejoso de estar com o Senhor para sempre.

 

Além de tantas outras pérolas de espiritualidade e vida interior que o evento de Fátima e aquelas três crianças têm a nos ensinar, poderemos nos concentrar de forma especial neste aspecto, vale dizer, do desejo constante e pronto de ir para o céu. Vivemos um momento da história muito peculiar, marcado pela busca autônoma do próprio bem-estar, muitas vezes a custos elevadíssimos, os quais podem ser muito mais caros que o próprio gasto financeiro, como por exemplo o custo de vidas inocentes para uma ou outra pessoa não precise se sentir perturbada com a geração não planejada de um filho ou com o incômodo de ter de dedicar tempo ao cuidado de um idoso, que pode já terminar sua vida neste mundo que não tem mais condições de esperar pelo tempo mais lento dos que não se adaptam às novas realidades e exigências da modernidade. Como cristãos, não podemos permitir que nossos olhos se fechem à eternidade, ao céu, pois é lá que devemos colocar toda a nossa fé e esperança. Somos apenas peregrinos neste mundo dominado pelas trevas em caminho para aquela cidade eterna onde a escuridão não existe, já que sua lâmpada, que brilha e ilumina, é o Cordeiro (cfr. Ap 21, 23). Ensina o Papa Bento XVI: “Muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna. Os homens são chamados a aderir ao conhecimento e ao amor de Deus, e a Igreja tem a missão de os ajudar nesta vocação. Bem sabemos que Deus é senhor dos seus dons; e a conversão dos homens é graça. Mas somos responsáveis pelo anúncio da fé, da totalidade da fé, e das suas exigências” (Discurso na celebração das Vésperas, Fátima 13.05.2010).

 

Nossa busca constante deve ser pelo céu, onde o Senhor e sua Mãe Santíssima nos aguardam, rodeados por uma multidão inumerável de santos e santas que se deixaram conduzir pela sagrada luz da graça divina. Este nosso objetivo não nos priva de viver neste mundo como verdadeiros habitantes, com os pés bem apoiados à nossa realidade e aos anseios e sofrimentos dos homens e mulheres, nossos irmãos. O que não pode acontecer é que esta preocupação nos distraia do nosso maior empenho, ou seja, a busca daquilo que não passará jamais, pois “não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas” (2Cor 4, 17). Deixemos, portanto que a luz santíssima com a qual a Virgem Maria está revestida nos envolva e nos guarde sempre no amor de Deus para a eternidade. “E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, ‘mostrai-nos Jesus’” (Papa Francisco, Homilia na canonização de Francisco e Jacinta Marto, Fátima 13.05.2017).

 

 

       

 

 

Pe. Everton Vicente Barros

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