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    A misericórdia divina em nossas almas

 

 

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A celebração da Festa da Divina Misericórdia neste segundo domingo de Páscoa nos introduz com muita alegria no mistério grandioso do amor infinito de Deus, rico em misericórdia. Esta comemoração deve, portanto, permitir-nos uma maior aproximação do coração de Deus, conduzindo-nos ao mais profundo deste mistério, o que não deveria ser para ninguém uma surpresa ou parecer uma tarefa demasiado exigente, destinada apenas à alguns poucos místicos. Pelo contrário, esta intimidade é um desejo profundo do próprio Jesus, que permitiu que seu lado fosse ferido pela lança e seu coração deixasse escorrer sangue e água, para que a porta sagrada deste amorosíssimo coração permanecesse sempre aberta a todos os que desejassem dele se aproximar. Almejar entrar neste sacrário de misericórdia não é uma atitude de soberba, mas uma confissão de nossa pequenez e necessidade de salvação e consolação em Cristo, o Ressuscitado.

 

Na obra da Redenção o Cristo opera a manifestação plena da misericórdia divina pelos homens, não permitindo que estes permanecessem prisioneiros do pecado mas, assumindo sobre si o pecado da humanidade que ofende e ultraja a dignidade infinita do Criador, vence o mal e introduz o homem redimido na comunhão de amor com o Senhor. Assim explica este mistério São João Paulo II: “Este é o Filho de Deus que na sua ressurreição experimentou em si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte. Ele é também o mesmo Cristo Filho de Deus, que no termo — e, em certo sentido, já para além do termo — da sua missão messiânica, se revela a si mesmo como fonte inexaurível de misericórdia, daquele amor que, na perspectiva ulterior da história da Salvação na Igreja, deve perenemente mostrar-se mais forte do que o pecado. Cristo pascal é a encarnação definitiva da misericórdia” (Dives in misericordia, 8).

 

Cristo, portanto, é o rosto da misericórdia do Pai (cf. Francisco, Misericordiae vultus, 1), é a manifestação mais esplêndida do amor divino, mais maravilhosa ainda que a própria obra da criação, onde o Criador concede ao homem sua imagem e sua semelhança, pois na Redenção o homem, desfigurado pelo pecado e escravo do mal, tem sua imagem resgatada e sua liberdade novamente conquistada. O que o homem se deixara roubar pelo diabo, Cristo reconquista pela obra estupenda da Cruz. Um autor desconhecido do século IV, buscando relatar como deve ter acontecido a descida de Cristo aos infernos no Sábado Santo diz que ele vai primeiro buscar Adão, o primeiro dos homens a pecar e, assim sendo, o primeiro a receber a visita do Cristo Redentor. Neste encontro Cristo diz: “Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste” (De uma antiga Homilia no Grande Sábado Santo, Liturgia das Horas, PG43, 439.451.462-463).

 

Esta é a infinita misericórdia de Deus, que não conhece limites nem barreiras, que não se deixa entrepor por nada quando se trata de salvar os amados filhos seus. Nossa confiança e nossa esperança devem estar depositadas neste imenso coração atravessado pela lança, de onde escorrem sangue e água, como fonte de misericórdia para nós, que nos lava e nos purifica de todo mal. Eis o sentido central da festa da Divina Misericórdia. Somos convidados a entrar neste santo sacrário que é o Sagrado Coração de Jesus, aberto por nós e permanentemente aberto para nós, para que encontremos nele nossa salvação. À Santa Faustina Kowalska, a santa polonesa que recebeu as mensagens de Jesus acerca da Divina Misericórdia e sua respectiva devoção, o Senhor afirma: “Deves saber, minha filha, que entre mim e ti existe um abismo insondável, que separa o Criador da criatura, mas esse abismo será preenchido pela minha misericórdia. Elevo-te até mim, não porque necessite de ti, mas, unicamente por misericórdia, concedo-te a graça da união” (Diário, 1576).

 

Celebrar a Festa da Misericórdia é permitir que esta obra excelente de Deus se realize na vida de cada fiel, transformando o coração e modelando-o segundo a imagem do insondável amor de Deus que não se cansa de nos amar e que deseja, mais que nós mesmos, nossa santificação e felicidade.

 

 

 

       

Pe. Everton Vicente Barros

Comunidade Católica Palavra Viva

 

     Renascidos pela Ressureição de Cristo

 

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Uma das maiores belezas que existem é o nascimento de uma criança. Este é um momento cheio de emoção que marca o início de uma nova vida humana, um novo membro de uma família e um continuador da humanidade. Além disso, é também a vinda de mais um amado filho de Deus, criado a sua imagem e semelhança, destinatário de seu infinito amor e de suas mais sublimes promessas. Contemplar um nascimento é também contemplar um grande mistério da existência humana, pois nenhum nascimento acontece privado da dor, ainda que conte com os mais avançados métodos científicos da medicina. A gravidez é vivida na espera alegre e ansiosa da chegada do filho, mas também neste tempo se vivem sofrimentos, angústias, tristezas e dores, tudo normal para os pais que se preparam para a nova jornada. Mas nada disso tira a felicidade transbordante dos dois.

 

        Quando chega o momento do parto tudo já está pronto para o novo começo de vidas já começadas e do primeiro começo da vida que vai trazer novo sentido para os que a acolhem. Não é à toa que dizemos que no parto a mãe “dá à luz o filho”, pois é exatamente o que ocorre. O filho se encontra escondido dentro da mãe, que o guarda e forma. Depois do parto a criança vem à luz, é dado à luz deste mundo como novo membro da família humana. Mas algo de mais sublime ocorre neste momento. O filho que nasce manifesta a beleza e a grandeza de Deus que opera este sublime milagre da natureza na procriação, permitindo que homem e mulher participem de sua obra criadora através da geração. Neste sentido o recém-nascido se torna reflexo da glória divina tornada visível aos olhos de todos, em outras palavras, colocado à luz para iluminar os corações e os olhos, para que contemplem o esplendor da presença de Deus.

 

        Assim visto, o nascimento de uma criança se torna sinal da beleza de Deus e de seu amor, mas também ganha um significado pascal, tornando-se imagem da Páscoa de Cristo Jesus.

 

        Também para o Senhor o nosso novo nascimento para a vida eterna teve de superar árduas provações e sofrimentos. Jesus enfrentou todos os desafios que poderia enfrentar, inclusive da fraqueza da natureza humana decaída, para que tudo fosse redimido por ele. Sofreu nas mãos impiedosas dos homens, que ele tanto amou desde sempre, os mais cruéis tormentos; foi desprezado por seu povo, que ele criou em Deus; foi abandonado por seus discípulos, escolhidos e amados “até o fim” (Jo 13, 1); foi traído por um dos seus amigos, um dos mais amados. Como um parto doloroso foi vivido o mistério da Paixão do Senhor para que tivéssemos a vida em nós mesmos (cfr. Jo 6, 53). Para que nos fosse possível nascer para a vida eterna, o Senhor Jesus deu a própria vida, e morreu.

 

        A morte, porém, não podia prender consigo a Cristo mas, pelo contrário, foi ela aprisionada pelo Senhor, que dela se eleva vitorioso: “Morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15, 55), “Morte, eu serei a tua morte; inferno, eu serei tua ruína” (Os 13, 14). São Leão Magno escreve: “Na verdade, morrendo, ele se submeteu às leis do túmulo, mas destruí-as, ressuscitando. Rompeu a perpetuidade da morte, transformando-a de eterna em temporal. Pois, como em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos viverão” (Sermão 8, Sobre a Paixão do Senhor, 8).  

 

        Ao celebrarmos a Páscoa do Senhor celebramos contemporaneamente nosso novo nascimento. O primeiro nascimento o devemos aos nossos pais, que colaboraram na obra criadora de Deus ao gerar-nos. Nosso segundo nascimento o devemos a Cristo Senhor, nosso Redentor, que venceu a morte pela sua morte, para que também nós, mortos ao pecado, vivamos para a glória infinita de Deus e tomemos posse da felicidade eterna que ele nos prepara.

 

        Nosso Rei vive, e vive para sempre.

        Viva a Cristo Ressuscitado!

       

 

 

 

       

Pe. Everton Vicente Barros

Comunidade Católica Palavra Viva

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